Salmão Selvagem

Estive num almoço com o diretor da Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI Brasil), José Madeira, onde aprendi um pouco sobre os peixes selvagens do Alasca (Estados Unidos), especialmente o Salmão Selvagem, Black Cod (Sablefish ou Guindara do Alasca), Bacalhau do Alasca sem adição de sal (Cod) e a Polaca, que agora podem ser encontrados no Brasil, em alguns restaurantes e pontos de venda para o consumidor final.

Antes de tudo, é bom destacar que a pesca no Alasca é assunto bastante sério! A Constituição do Estado em 1959, já estabelecia que os peixes deveriam ser utilizados, desenvolvidos e mantidos com base no princípio de produção sustentável. Há também uma determinação legal que proíbe a criação, de forma que todos os peixes nativos precisam ser selvagens. Leis estaduais e federais são bastante rígidas com relação a preservar o meio ambiente e garantir a sustentabilidade. Todos os anos, cientistas do Alasca, realizam e analisam pesquisas sobre clima, meio ambiente e fatores socioeconômicos que afetam as pescas. Essas pesquisas ajudam os cientistas e biólogos a determinarem o que seria um nível de pesca sustentável e, a partir daí, são definidas as cotas de pesca individuais ou da comunidade. De qualquer forma, a própria população do Estado é bastante consciente, com 34 mil milhas de costa e uma densidade populacional que raramente ultrapassa 2 mil habitantes, as comunidades tem poucas oportunidades de trabalho além da pesca e seu processamento. Fica claro o interesse na sustentabilidade das indústrias pesqueiras.

O almoço foi no restaurante Na Mata – Black Cod Selvagem do Alasca marinado no molho missô, acompanha arroz com perfume de jasmim e cogumelos – esse peixe é uma loucura de bom, parece que passaram manteiga nele todinho, derrete na boca.

Mais da metade dos produtos do mar capturados em águas norte-americanas tem origem no Alasca, nas águas geladas do Mar de Bering e do Golfo do Alasca (ambos somam 200 mil milhas náuticas da Zona Econômica Exclusiva), onde várias espécies de peixes brancos são encontradas no fundo do oceano ou próximo ao fundo. O peixe branco do Alasca passa toda a sua vida no oceano, nunca entra em zonas de água doce. Em diferentes fases da sua vida alimenta-se de plâncton, camarão e outros crustáceos, peixes e organismos marinhos. Bacalhau (Cod – Gadus macrocephalus), Black Cod (Sablefish) e  Polaca –alguns dos peixes brancos do Alasca– são bem conhecidos por sua fecundidade, fêmeas desovam muitas vezes durante a vida e sempre dezenas a centenas de milhares de ovos por vez; estabilizando assim as populações no oceano.

Agora falando do Salmão Selvagem do Alasca , são cinco espécies: Vermelho (Sockeye/Red), Keta (Chum) e Rosa (Pink) vem pro Brasil; Real (King/Chinook) e Prateado (Coho / Silver) ainda não. Cada um tem suas características particulares, mas todos vivem no mar e desovam na água doce. É a famosa migração dos salmões que retornam exatamente no local onde nasceram para reproduzir. Por não se alimentarem em água doce, machos e fêmeas precisam guardar boa gordura corporal quando deixam o oceano, a fim de aguentar a viagem contra a corrente.  Durante esse retorno às origens, passam por baías fechadas e águas rasas, sendo observados e contados em cardumes pelos gestores da indústria pesqueira do Alasca, que deixam passar um número suficiente de adultos prontos para a desova, a fim de que o ciclo se renove. O restante é capturado em áreas específicas e controladas, dentro das águas territoriais do Estado em até três milhas náuticas da costa.

Tartar de Salmão Selvagem Sockeye do Alasca, abacate, tomate, cebolas roxas, limão, dill e crispy de alho-poró – reparem na cor do salmão como é intensa – seu sabor é marcante, ômega 3 nas veias!

De qualquer forma, o ciclo de vida do Salmão Selvagem do Alasca vai terminar na primeira e única procriação. Ao chegar no local de nascimento, a fêmea escava uma área para depositar os ovos na parte mais limpa do leito da corrente e depois escolhe um macho para fertilizar os seus ovos, à medida que os deposita no cascalho. Depois disso eles não retornam ao mar e morrem. Mas na primavera, os alevins de salmão recém-nascidos, emergem do cascalho e iniciam sua viagem rumo ao oceano.

Porém, de nada adianta a captura dos peixes selvagens, se eles não forem processados rapidamente. A atividade pesqueira no Alasca emprega tecnologias que permitem a limpeza e o congelamento dos peixes em barcos-fábrica, ainda em alto mar, poucas horas após a pesca, preservando assim, todas as propriedades e o frescor dos produtos.

Para saber mais sobre os peixes selvagens do Alasca, onde comprar e algumas receitas, leia o site da Alaska Seafood Marketing Institute – Brasil.

 

foto de abertura da matéria extraída do site da Alaska Seafood Marketing Institute – Brasil.

 

 

Alessander Guerra

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