Doces de Pelotas

Os tradicionais Doces de Pelotas, estão seguindo seu caminho para conseguir a importante certificação de indicação geográfica.

Doces de Pelotas _Fenadoce -Foto Marcel Streicher

O projeto Pólo Gastronômico de Pelotas e Rio Grande – RS (que teve início em julho de 2015) , do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), visa a capacitação e orientação para que as doceiras comecem a produzir doces com certificado de origem.

Os doces com indicação geográfica são aqueles que remetem à região em que foram produzidos, seguindo receitas, tradições e costumes.

A partir de 2017, todos os doces de Pelotas tradicionais – quindim, bem casado, ninho, camafeu, papo de anjo, olho de sogra, pastel de Santa Clara, panelinha de coco, trouxas de amêndoas, fatia de braga, queijadinha, broinha de coco, beijinho de coco, amanteigado e doces cristalizados – só poderão ser vendidos na Feira Nacional do Doce (Fenadoce) ,  com a certificação.

De acordo com a gestora de projetos, turismo e gastronomia, Jussara Argoud, o doce certificado é a garantia de qualidade do doce, pois é feito a partir da receita tradicional.

Hoje já são 11 empresas que fazem parte do processo de certificação: Delícias Portuguesas; Doces Santa Clara; Dona Xica Doces de Pelotas; Fábrica de Doce Monalu; Imperatriz Doces Finos; Mestre Kuka; Nanda Doces; Nina Doces; Renata Doces; Tuca Doces e V. N. Doces Delícias.

Doces de Pelotas _Fenadoce 2016 - - Foto Marcel Streicher06-2

Doces de Pelotas – História

A história dos doces de Pelotas está intimamente ligada, ao desenvolvimento da cidade, que na década de 1860 era uma grande exportadora de charque (manta de carne salgada e seca sob o sol) para a Europa.

Os navios retornavam com os mais variados produtos e objetos, trazendo para a cidade não só os costumes, mas muito da cultura européia.

Saraus, companhias teatrais, recitais de música, entre outras atividades, tinham programações praticamente diárias no interior da arquitetura grandiosa de prédios e casarões.

Os doces (especialmente os de origem portuguesa) eram servidos nos intervalos envolvidos em papéis de seda rendados e franjados.

Sua produção era realizada de maneira caseira pelas mulheres e suas mucamas.

Como existiam rigorosas regras de etiqueta na época, muitas atividades não poderiam ser desenvolvidas ao ar livre.

As mulheres dedicaram-se a hábitos caseiros, com reconhecido destaque na culinária, bordado, música e pintura.

Fato que contribuiu para a intensa produção e aprimoramento dos doces de Pelotas.

O açúcar utilizado era proveniente da região Nordeste do Brasil, trocado pelo charque.

Temerosas pela escassez deste ingrediente essencial, as escravas passaram a diminuir a quantidade de açúcar na produção dos doces.

Transformação que trouxe um diferencial que agradou muito ao paladar dos consumidores da época. (fonte Associação dos Produtores de Doces de Pelotas – site).

Doces de Pelotas _Fenadoce 2016 - Foto Marcel Streicher06-5

Doces de Pelotas – receita

Para completar essa deliciosa matéria, publico a receita do Camafeu de nozes.

Camafeu

Receita de  Maria Helena Lubke Jeske, presidente da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas e dona da Imperatriz Doces Finos.

Ingredientes

25 docinhos 

Ingredientes

500 gramas de açúcar

300 ml de água

500 gramas de nozes moídas em forma de farinha + 25 metades de noz para decorar

10 gemas

 

Modo de preparo

Faça uma calda com o açúcar e a água  (até desmanchar completamente o açúcar na água)

Acrescente as nozes e as gemas.

Esta massa deve ser dormida (guardada), de um dia para o outro.

Enrole os docinhos – sugestão rolo de uns 4 cm de comprimento e 1,5 cm de altura.

Com a ajuda de um garfo, segurando por baixo. Mergulhe os docinhos no glacê.

O glacê pode ser comprado pronto em lojas para doceiras e derretido em banho maria

Depois quem molhar os doces no glacê, enfeite com a noz.

História: fato curioso do doce

Este doce foi feito em homenagem as moças dos saraus, que usavam no pescoço um pingente que tem o formato de um rosto. A noz simbolizaria o rosto do camafeu.

fotos: Marcel Streicher

 

Alessander Guerra

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