Ca´d´Oro Hotel e Restaurante

Era uma vez um lugar cercado de histórias e personagens interessantes, o Ca´d´Oro Hotel e Restaurante 

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Encontros, desencontros, alegrias, tristezas, amores e desamores; tudo se viu naquele lobby elegante e nas mesas bem postas.

Roteiro de filme, onde recantos dotados de aura atravessam períodos diversos, alguns dourados e outros nem tanto.

E, muitas vezes, encerram suas atividades deixando certa nostalgia.

A história virou  livro  “Grande Hotel Ca´d´Oro”.

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Em tom documental, a obra de Celso Nucci e Marília Scalzo, lançada em 2015 pela Editora Senac São Paulo é um grande registro para a hotelaria

Poderia ser romanceado e roteirizado a qualquer tempo.

Agora um novo capítulo foi escrito, o Ca´d´Oro Hotel e Restaurante está de volta.

Completamente reformulado, mas pronto para despertar memórias passadas e provocar lembranças futuras.

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Ca´d´Oro Hotel e Restaurante

História

A história do Ca´d´Oro Hotel e Restaurante, ícone da boa hotelaria e gastronomia paulistana começa em 1953.

O imigrante italiano Fabrizio Guzzoni (falecido em 2005), quando deixou a cidade de Bérgamo (Itália) e o comando do Grand Hotel Moderno (fundado por seu pai  Aurelio, em 1922) pretendia inaugurar seu próprio hotel de luxo no Brasil.

Porém, seu restaurante de comida clássica italiana veio primeiro, em 13 de julho de 1953 na imponente rua Barão de Itapetininga.

É! Estamos falando de um Centro de São Paulo em seus tempos áureos!

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Mas antes de seguirmos, algumas curiosidades:

  • Devido a superstição da família, a data oficial de abertura do restaurante Ca´d´Oro ficou registrada como 14 de julho.
  • O nome do Ca´d´Oro Hotel e Restaurante foi sugerido pela sogra de Guzzoni.
  • Inspirado no Ca’d’Oro de Veneza (“Casa de Ouro” em dialeto local) que ela havia acabado de visitar.
  • O palácio é uma construção do início do século XV, que hoje funciona como um museu.

Pois bem, o  Grand Hotel Ca´d´Oro foi inaugurado apenas três anos depois, em 1956, o primeiro cinco estrelas de São Paulo.

Recebeu reis e rainhas da Suécia e da Espanha, Nelson Mandela, Pablo Neruda, Gore Vidal, José Carreras, Luciano Pavarotti, Jorge Amado, Mário Quintana, Di Cavalcanti, Vinicius de Moraes, para citar alguns.

Até que fechou as portas, em clima melancólico, no dia 20 de dezembro de 2009, numa Rua Augusta e um Centro de São Paulo, em plena decadência. cadoro-hotel-e-restaurante-_piscina1_foto-tadeu-brunelli

Hoje

O ciclo de vida da cidade se renova, a Augusta ganhou novos ares, modernos, ecléticos, mostrando uma São Paulo mais plural.

Da mesma forma o novo Ca´d´Oro Hotel e Restaurante na mesma Rua Augusta, 129 é um empreendimento múltiplo.

Faz parte de um complexo incorporado e construído pela Brookfield Incorporações.

O projeto arquitetônico de José Lucena, design de interiores de Patricia Anastassiadis e paisagismo de Benedito Abbud, traz o moderno conceito mixed use.

São quatro tipos de ocupação: residencial, comercial, hotel  e restaurante.

A torre residencial tem 374 unidades de 1, 2 e 3 quartos.

Na comercial com 27 andares  – há 387 salas de escritórios (com entrada independente) + o Ca´d´Oro Hotel e Restaurante.

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O Hotel

Hotel com 147 apartamentos de 26 a 56 metros quadrados distribuídos entre o 19º e o 26º andar (de forma que os hóspedes tenham uma ampla visão da cidade).

Diárias a partir da R$ 430 (não inclui café da manhã). Todos os apartamentos têm varanda e são equipados com cama queen, minibar, máquina de café Nespresso, dock para iPod/ iPhone e wifi gratuito.

Piscina, sauna e fitness center estão na cobertura com vista panorâmica de São Paulo.

Recepção, bar e restaurante do hotel, localizam-se no térreo.

Tudo é novo, mas o passado continua por ali contando história do  Ca´d´Oro Hotel e Restaurante.

Estão prontas para serem tocadas as teclas do raro piano francês Erard, de 1870,  feito em madeira marfim e “marchetaria”.

A tela “Bacco” de Giulio Carpioni (1611-1674), pintor veneziano, considerado um dos mestres do Setecentismo, poderá ser apreciada novamente.

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Anitra alla “Colleoni, peito de pato em crosta de ervas, com aspargos, purê de batata e três figos empanados (foto Tadeu Brunelli)

Sem contar que também está de volta a  superstição de tocar a “Estátua equestre de Bartolomeo Colleoni”, réplica em bronze da original de Andrea Verrochio, existente em Veneza.

Homenagem ao mestre das armas e da guerra Bartolomeo Colleoni, cuja virilidade era atribuída a seus três testículos de nascença.

Fabrizio Guzzoni, quarta geração da família no ramo da hotelaria e neto do fundador do Ca´d´Oro é Gerente geral do novo Ca´d´Oro Hotel e Restaurante.

A cozinha está a cargo de Ednaldo Barreto Reis, que entrou para a equipe em 1994 como aprendiz até chegar ao posto de chefia.

Falando em cozinha, o menu do restaurante volta com pratos clássicos.

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O Restaurante

Tive a oportunidade de visitar o novo e elegante hotel e provar alguns clássicos italianos do Ca´d´Oro que voltam a brilhar no menu.

Comida muito bem executada pela equipe de cozinha comandada pelo chef Ednaldo Barreto Reis.

Imperdível a “Esclusiva bresaola artigianale della Valtellina, fatta in casa” (foto acima)

(Bresaola artesanal feita na cozinha do Cá d´Oro – R$39) servida com suave patê de fígado ao vinho Marsala.

As massas frescas são delicadas, tem uma saborosa simplicidade e ponto de cozimento perfeito.

Provadas na “Trilogia bergamasca’ (um pouco de cada – R$69) ou individualmente:

“Agnolotti di magro della nonna al burro e salvia”

(Massa fresca recheada com misto de queijos magros e espinafre- R$69),

Ca´d´oro Hotel e Restaurante _ Casoncelli alla bergamasca_ foto Tadeu Brunellii

“Casoncelli alla bergamasca” (foto acima Tadeu Brunelli)

(Recheio a base de vitelo e codeguim italiano, com toque de amaretti – R$69),

Ravioli di carne al pomodoro e basilico”

(Recheio de carne com molho de tomate e manjericão – R$69).

Carnes

Outro clássico cheio de sabor é o “Anitra alla “Colleoni

(Peito de pato ao forno em crosta de ervas, aspargos frescos, purê de batata e três figos empanados – os 3 “Colleoni” – R$74)

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Servido num carrinho réchaud, uma receita também famosa e histórica é o Gran bollito misto alla Piemontese. (foto acima Tadeu Brunelli)

Lembrando que em 1956,  não havia produção no Brasil de Gueridon (o carrinho réchaud), foi preciso encomendá-lo de uma metalúrgica que fabricava carrinhos de bebês.

O Gran bollito misto alla Piemontese é um cozido de carnes como músculo, frango, língua e zampone.

Carnes cozidas separadamente em um consommé, acompanhadas por vegetais diversos.

Entre eles: batata, cenoura e repolho + três molhos feitos na casa: verde, raiz forte e mostarda de Cremona.

Para encerrar a refeição sobremesas como a “Cassate Speciali” (foto abaixo Tadeu Brunelli)

(cassatas de sorvetes da casa – crocante, menta com chocolate e Ca’d’oro com frutas cristalizadas – R$ 26).

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No classudo bar do Ca’d’oro, instalado entre o lobby do hotel e o restaurante, uma imponente adega de vinhos climatizada tem espaço para mil garrafas.

A carta tem 130 rótulos, com destaque para produtores italianos de diversas regiões como: Toscana, Piemonte, Veneto, Lombardia, Puglia e Sicília.

Nas noites de terça a sábado e no almoço de domingo, música ao vivo, com um pianista tocando no raro Erard.

 

Serviço

Ca´d´Oro Hotel e Restaurante

Endereço: Rua Augusta, 129, Consolação – São Paulo

Site: www.cadoro.com.br

referência de preços minha visita em outubro/2016

fotos: Tadeu Brunelli

 

 

Alessander Guerra

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