Bar da Dona Onça

Hoje nosso texto vem direto do Bar da Dona Onça.

Estrogonofe, picadinho, bife à cavalo, dobradinha, fígado acebolado, carne de panela, arroz, feijão, farofa, croquete de carne, cuscuz, carne moída, macarrão com frango, omelete, rabada, linguiça com ovo frito, bife à milanesa, pastéis, almôndegas, sopa de feijão, feijoada,…. Quem é capaz de ler o nome desses pratos sem ter a vontade de provar algum? Melhor ainda, todos eles quando pedimos, sabemos exatamente o que será servido. É confortável concordam?

Carne de Panela e a foto do Estrogonofe abertura do post (Mauro Holanda)

Há seis anos quando Janaína Rueda abriu o Bar da Dona Onça ia na contramão do que a maior parte dos chefs pensava em fazer. Havia uma busca pela modernidade, o contemporâneo, a cozinha de autor, as técnicas de cocção modernas vindas do exterior. Enfim, tudo, menos cozinha caseira, era o que os chefs queriam como marca registrada de seu trabalho.

Sopa  de Feijão (foto Mauro Holanda)

Hoje, há tantas opções de restaurantes com pratos elaborados a serem desvendados que, muitas vezes, nos dá preguiça. É tanta oferta, tanta informação, tantos estrangeirismos, linhas para explicar um único prato, camas (tem alguma coisa embaixo), telhas (tem alguma coisa em cima), que ficamos indecisos. Na verdade, na maioria das vezes, só queremos sair para comer uma comida que nos conforte, que nos faça dar um tempo na correria e tensões do dia-a-dia para degustá-la. Não queremos ter trabalho para escolher, decifrar, interpretar as entrelinhas. Pensando assim, o Bar da Dona Onça parece que hoje está totalmente antenado com a nova realidade, a nova necessidade do mercado. É, por assim dizer, um bar moderno, exatamente porque revisita o passado!

Janaína Rueda (foto Mauro Holanda)

“É a comida que eu sei fazer, eu cresci no meio dos maîtres, empratado pra mim já é moderno” conta a chef Janaína Rueda em nosso bate-papo. Logo ela chama o Ênio, maître do Bar da Dona Onça, para me contarem dos tempos áureos, onde os maîtres eram as estrelas dos restaurantes. Passeavam com seus carrinhos pelo salão e finalizavam os pratos na frente do cliente. “Hoje não dá, fica impossível sustentar esse trabalho, seriam necessários uns 5 maîtres para o restaurante” diz a chef, acrescentando que, mesmo assim, tem um sonho de montar um restaurante que resgate esse serviço.

Croquete de Carne (foto Mauro Holanda)

“O Jeffinho (seu marido, o grande chef Jefferson Rueda que comanda o restaurante Attimo) que também é meu sócio aqui, sempre vai me ajudando com uns toques de modernidade, mas eu não abro mão de fazer esse tipo de comida. Se Gordon Ramsay (chef que comanda  a série de TV Hell’s Kitchen) viesse aqui, ia dizer que estava tudo errado! Tenho 108 pratos no cardápio e acho ótimo!” finaliza a chef, que está mais do que certa porque o Dona Onça vive lotado! Aliás, Dona Onça versus Gordon Ramsay daria um episódio eletrizante, para dizer o mínimo!

Feijoada – 4as feiras e sábados (foto Alessander Guerra)

Mas tem uma coisa que a a Janaína já está antenada, vem por aí a onda japonesa do Umami (já escrevi  nesse post ). O quinto gosto básico do paladar humano, descoberto há pouco tempo. Aquele que faz com que a gente sinta o que sentiu o temível crítico Anton Ego, ao provar o Ratatouille preparado pelo rato Rémy no desenho animado de mesmo nome. Aquele gosto especial que fica na nossa memória e que desejamos provar novamente, não sabemos nem o porquê. Dona Onça resgata o passado mas sempre de olho no futuro!

Sobremesa – Trio Elétrico – pudim imperdível! (foto Alessander Guerra)

Alessander Guerra

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