O futuro das receitas

Hoje por aqui, temos uma abordagem bastante interessante feita pela Marisa Furtado que rendeu o post: O futuro das receitas.

Pessoa super querida que conheço de longa data, muito antenada nas novidades do mercado de gastronomia.

Como nesse nosso espaço democrático estamos sempre Cozinhando Ideias…

Desde já #ficaadica, eis uma boa para matutar na nossa cachola!

O futuro das receitas

O futuro das receitas

por Marisa Furtado

Até hoje, sempre que a gente queria cozinhar, bastava procurar um livro, ou um guia, ou uma receita.

E, como meros repetidores, usávamos essas informações para preparar nossos pratos.

Então entramos na era digital e, aos poucos, o conceito de “receita” vem mudando de uma forma revolucionária.

Por aqui a inovação ainda não chegou.

Mas no Oriente, Europa e nos Estados Unidos, outras formas de “receitas” já estão se consagrando.

Inteligência Artificial

Vamos começar pelo mais óbvio: a inteligência artificial de equipamentos e utensílios de cozinha.

Agora eles “aprendem” qual é o seu gosto e “discutem” entre si, qual seria a melhor pedida para a sua fominha.

Por meio de recursos conhecidos como machine learning, todos os equipamentos ganham memória.

A geladeira “fala” com a dispensa, que “fala” com o supermercado, que faz as compras que você precisar e então “falam” com o fogão e assim por diante.

Muito da receita a ser preparada depende dessa “conversa” entre eles, da qual você só participa se desejar.

E vamos combinar que, em alguns dias, até os mais entusiastas da cozinha precisam de um tempo…

É tudo centralizado no celular ou em um robô virtual, tipo aquele filme “SHE”.

Você só precisa de alguns comandos para a receita se articular meio que sozinha.

Por exemplo, você quer algo com berinjela e quente para o jantar.

Os equipamentos verificam a disponibilidade e, se necessário, compram ingredientes, checam a sua preferência de sabor, complementam a receita com o que você tiver disponível, dão seu toque pessoal ao final.

E o comando pode ser uma sensação, não precisa ser um ingrediente, ou um sabor, ou principal, sobremesa etc.

O princípio da receita pode ser algo tão simples como “muito alegre”.

O futuro das receitas

Lembram dos Jetsons?

Para os cozinheiros mais geeks, o robô da inglesa Moley, já vai ter tudo no jeito ou até pronto, quando você chegar.

Tratam-se de dois bracinhos articulados na bancada da cozinha que fazem tudo o que a “central” mandar.

E isso não é futurismo.

Já estão disponíveis para qualquer mortal, como comprar uma simples batedeira, por US$15mil.

Mágico…orgânico… tech.

Recentemente pudemos acompanhar uma palestra de Carley Knobloch, guru tech, especializada em deixar a casa e a rotina mais inteligentes, por meio das novas tecnologias, que são uma mão na roda para quem tem que conciliar casa, família, trabalho, interesses pessoais etc. etc. em apenas 24 horas.

Ela confessou ter mais de 50 equipamentos interligados em seu celular Myriad e que tem tudo organizado na cozinha antes mesmo de voltar do trabalho.

O futuro das receitasO futuro das receitas: Carley Knobloch.

As aranhas virtuais, agora na segunda geração, chamadas de algoritmos emocionais, buscam e concatenam informações a partir de seu perfil de usuário e navegação, ordenados em cadência e aplicativos que, busca, combina e cria receitas para a sua necessidade fisiológica ou de astral naquele dia, ao receber o “fator indexador”, que pode ser até algo do gênero “estou de TPM hoje”.

Foodpairing

O futuro das receitas

Outra maravilha da era digital é a tecnologia “food pairing”.

É o fim da repetição das mesmas receitas e da pergunta mais chata e repetida da cozinha: “o que vai ter de comida hoje?”.

Foodpairing , como o nome diz, pareia as características diversas de alimentos e promove inusitadas harmonizações que não existem nem na mente dos chefs mais brilhantes.

Isso porque o ser humano só consegue ir até um certo ponto de abstração.

O futuro das receitasO futuro das receitas:  Chef Watson da IBM

Elementar meu caro Watson!

Falando sobre novos aprendizados de receitas e gostos, a tecnologia cognitiva Chef Watson da IBM a princípio já organizou um compêndio de mais de 400 hipóteses testadas e aprovadas pelos mais ilustres chefs e cientistas da alimentação.

A plataforma funciona como uma espécie de assistente virtual de cozinha, capaz de gerar infinitas sugestões de cardápios, menus e preparações, just in time.

Mas para causar geral, um caminho ainda mais disruptivo: a impressão 3D de ingredientes.

Ou seja, a receita é para imprimir o ingrediente, antes mesmo de se imprimir a receita.

É como brincar de “Céres”, a Deusa Grega da agricultura e criar individualmente o “seu” tomate, o “seu chuchu” etc.

Depois adicionar a estas criaturas os nutrientes que você mais precisa, por exemplo, num dia de TPM, turbinar o “seu” tomate com dose extra de potássio.

Essa é a proposta do projeto “Edible Grotwh” da holandesa Chloé Rutzerveld, que recentemente esteve no Brasil apresentando suas ideias em Future Food Design.

Ao mesmo tempo, por outra perspectiva, imagine quantos benefícios esta tecnologia trará para pessoas com doenças crônicas, com necessidades individualizadas de alimentação?

O futuro das receitasO futuro das receitas – “Edible Grotwh” da holandesa Chloé Rutzerveld

Loucura?

Pois tudo isso já está rodando pelo mundo.

E o que mais me anima nestas futurologias é que uma coisa nunca vai mudar:

O nosso imaginário em relação a uma comida, a vontade de comer, de cheirar e de surpreender o paladar.

Enfim, as máquinas, as tecnologias, os equipamentos e os utensílios vão diminuir o nosso pensar, do ponto de vista operacional, sobre as receitas.

Restará a nós, mais tempo para curtir e estar em boa companhia à mesa.

Paradoxalmente, sem o celular por perto, please…

O futuro das receitas
Marisa Furtado

Idealizadora e proprietária da plataforma Madame Aubergine Cozinha & Cultura, em que exerce a curadoria, investigação e fomento do saber gastronômico.

É responsável pela área de consulting e pela grade de programação, cursos, conteúdo autoral e comercial.

Assim também como reportagens nacionais e internacionais, passeios, viagens, publicações, realização de eventos proprietários e gestão do negócio.

Colunista e repórter freelancer em gastronomia, inovação & foodtech nos jornais Prop & Mark, Diário dos Açores, ProXXIma e Meio & Mensagem.

Bem como, das revistas Prazeres da Mesa e Menu, Ideias PAN – Rádio Jovem PAN, Programa Cozinha do Bork e Programa Bem da Terra na BAND TV.

Ministra palestras e oficinas em diversos eventos das áreas de comunicação e gastronomia.

É produtora executiva da competição MESAPOSTA, entre startups de gastronomia, com a Editora 4 CAPAS.

Foi pesquisadora em FOOD do PATH TREND REPORT, no último festival de inovação PATH 2018.

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Alessander Guerra

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