O Samba na Cozinha

Esse Cuecas, que vos escreve sempre, informa que hoje é dia da coluna As Gurias , bem como de falar de O Samba na Cozinha.

Abro alas então para a colunista Luiza Estima, que nos presenteia com mais uma história inspiradora.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que a distância entre o desejar e o fazer acontecer, só depende de você!

Mara Quintanilha, Luciana Bravo, Vania Padilla, Nira Lidia, Geni Schkolnick e Luiza Estima – foto Estúdio Gastronômico.

O Samba na Cozinha por Luiza Estima

A cada edição, venho aqui falar, contar histórias das gurias.

Curadora e escritora nesta coluna, quero ouvir vocês, gurias de todos os cantos, as histórias que têm pra contar.

O Samba na Cozinha

Lá vêm as gurias do Samba na Cozinha!

Foi aparecerem as seis figuras na festa de aniversário e a fama percorreu o salão até chegar na banda que tocava distraída.

Os acordes de “Sem Compromisso” surgiram cheios de intenção e nos arrumamos na formação desencontrada que nos caracteriza (tipo sem compromisso).

Soltando então, as três vozes duplicadas com aquele sabido início “você só dança com ele…”.

Muita gente acha que esse samba delicioso é do Chico Buarque, quem popularizou a canção em tempos mais modernos.

Porém, a composição é do mineiro-carioca Geraldo Pereira, lá em 1944.

Fala de mulheres que fazem o que querem.

Ainda que o Geraldo ou o Chico esperneiem dizendo que foi com eles que a moça chegou no samba (“…quem trouxe você fui eu”).

As gurias

As gurias do Samba na Cozinha são assim.

Vão pro samba e pra onde querem, só e sem compromisso, tudo pela música.

É a música que as une e a comida que as mantém ligadas.

Todas acima dos 50 anos, resolvidas ou não, num desses impulsos da cantoria decidiram se juntar para estudar sambas e bossas.

E lá fui eu com as ideias, propondo que a minha casa – e a minha cozinha – abrigasse os ensaios e as receitas.

Primeiro encontro e introduzi as melhores intenções: saladas, águas aromatizadas, cogumelos, quinoa, um bifum malandro com tomatinhos e temperos.

Pro samba a mulherada topa tudo, já na hora de comer não é bem assim.

Num rodízio que nunca combina dia e hora, a cada momento tem uma esquisita, outra com dor de barriga, aquela que odeia coentro, a recém-vegana, a(s) (todas) de dieta.

Os ensaios

Nossos ensaios são sempre às segundas-feiras, o dia fatídico em que todas as tentativas de emagrecer são testadas.

Nossos testes nesse sentido acontecem às terças. Bem, quando acontecem.

Foi por isso que minha culinária sustentável e progressista foi derrubada e a diversidade se impôs.

Como diz João Bosco na provocante história em A nível de…, cada um come o que gosta…

Todas as segundas-feiras brindamos as dores (de barriga ou da alma) com borbulhantes fermentados.

Dessa forma, combatemos qualquer tentativa de baixo astral ou restrição alimentar, que determinamos que é a mesma coisa.

Pra umas, cerveja, outras, o vinho, de vez em quando sangria, clericot – dieta tem que ter frutas!

Assim fomos experimentando petiscos, arranjos, canções, trocando os timbres, propondo pratos e receitas, carregando bebidas e secando as taças.

Neste sexteto tem enfermeira, jornalista, banqueteira, jurista e terapeuta ocupacional entretida no samba.

Cada uma com suas vidas, seus problemas, as contas, os guris, a família, os pets, o cinema, o cabelereiro, as opções políticas.

Pouca coisa combina e tudo faz sentido, somos mulheres, afinal.

As alegrias

O improvável acontece quando cantamos.

Descobrimos essa alegria em comum e, com isso, vamos encontrando novos atributos em cada uma, em cada momento da vida e no conjunto da obra.

Nós, as gurias do Samba na Cozinha, unidas pela voz e pelo apetite, vamos ao teatro bem vestidas, ao boteco com os músicos ripongos e às oficinas de canto com os musos da MPB.

Bem como, à Europa pra se divertir, à forra se encher de sorvete ou à serra fazer pizza no forno à lenha calçando pantufas de bichinhos.

Para completar a lista, vamos até mesmo à praia carregando um isopor brega com cervejas baratas.

Tanto faz, a gente quer é cantar.

Com tanto empenho já se passaram 2 anos de estudos, ensaios, apresentações íntimas (para uns 60 amigos), umas gravações em estúdio e convites inusitados.

Cantamos num restaurante vazio que não serve comida para os artistas.

Igualmente, acompanhamos uns pagodeiros divertidos.

E, da mesma forma, nos apresentarmos para uma multidão de felizes desavisados na arena de gastronomia da Bienal do Livro em 2018.

O futuro

É começando a carreira que fala?

Também pintou o convite (por 2 vezes) para um sarau onde só feras se apresentam, coisa fina.

Nossas diferentes formações, ideias e opiniões se calam diante do nosso compromisso com a música.

Se é pra cantar, formamos a banda, os músicos, ensaios à noite e no final de semana.

Enfim, deixamos filhos e a louça na pia, fuzilamos sem piedade com “sinto, mas não vou no seu aniversário, tenho apresentação”.

Até uma de nós, em um surpreendente gesto de amor e loucura, faltou na formatura da própria filha porque nosso show estava agendado muito tempo antes.

Cantamos para você, Débora!

Em agosto vamos fazer nosso primeiro show exclusivo!

Sim, organizado por nós em uma pequena casa de shows alternex que descolamos.

Claro que, pensando estrategicamente em lotar o espaço com a parentada fiel.

Se tudo der certo, e nem precisa ser um blockbuster, tentaremos mais um ainda em 2019.

Dessa vez com a cozinha também afinada, com a companhia de uma chef, que fará uns quitutes e umas canjas ao microfone com a gente.

Não é que as gurias, quando cantam, não só os males espantam mas também encantam?

Serviço

Vejam um pouco mais da nossa singela paixão e diversão sendo gurias sonhando que são cantoras.

Infos e pedidos para apresentações pelo luestimacom@gmail.com

Alessander Guerra

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