O futuro da alimentação está na despensa!

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A gastronomia brasileira está em alta, atingindo boas colocações em listas de publicações internacionais, conquistando prêmios, indo a competições; enfim, vivendo um período áureo. Por outro lado, vejo um retrocesso na forma que o brasileiro se alimenta.

Já foi dito: “Lilia Pedibus destrue” – numa tradução livre: “é preciso destruir para construir”.

Não sei se concordo!

Na minha formação não há só os grandes chefs que me ensinaram e me inspiram, não sou apenas um confeiteiro que admira e trabalha com as técnicas da confeitaria francesa moderna; há também minha família (parte libanesa e parte italiana). Sou fruto e filho da miscigenação que forma nosso Brasil.

Penso que o que torna minhas receitas especiais hoje, além dos meus 10 anos de experiência profissional e 29 de vida, são centenas de anos de tradição familiar. As matriarcas me ensinaram a fazer capeletti in brodo, comer sardela, preparar coalhada em casa, queimar berinjelas no fogo, valorizar um pão fresco e a respeitar todas as culturas.

É essa herança que se faz presente na minha despensa hoje em dia. Nela habitam ingredientes de todos os cantos: mostarda em pó, sementes de coentro, pimenta siria, pimentas habanero, folhas de uva, frutas secas, goiabada, chocolate belga, etc. O estranho é perceber que, infelizmente, essa despensa variada e com ingredientes clássicos para as diversas culturas é uma raridade.

É muito dificil não se render apenas à invasão da cultura norte-americana, que entra em nossas casas por filmes, livros, revistas, blogs e etc… Pois digo que: Não se render a apenas uma cultura é respeitar todas as culturas, principalmente à de nossas origens!

Olhem, por favor, para suas despensas e vejam quais produtos de sua infância ali permaneceram. Fubá, goiabada, mandiopan, farinha flocada de milho, chimias, doces de alfenim, frutas em compota, doce de abóbora, papo de anjo, fécula de batata, bolos prontos, nata, polvilho azedo, balas de goma, dadinhos…. Algum lá? Que não seja o leite condensado – eterno.

Me pergunto: Por que a incessante busca pela novidade deve fazer o passado cair em esquecimento?

Agora uma outra questão: quantos produtos americanizados, com etiquetas brancas coladas com tradução estão lá? Quantos deles já não são produzidos no Brasil? E o pior, quantos já não o acompanham desde sua infância? Penso muito nos hábitos alimentares das crianças e adolescentes de hoje, temos copiado o estilo de vida de uma nação cujo índice de obesidade mórbida supera o de qualquer outra.

Acho que Comer também é Educação!

Queria colocar duas novas idéias muito importantes para o nosso futuro: alimentos funcionais e slow food.

Alimentos funcionais são aqueles que quando ingeridos apresentam benefícios na sua dieta, como por exemplo: castanhas (oleoginosas) conhecidas pelo seu grande poder anti-oxidante, a cenoura rica em betacaroteno ou a banana rica em potássio.

O mais louco é pensar que antigamente, mesmo sem esse conhecimento, já usávamos esses alimentos indiscriminadamente. E a comida era slow food, uma vez que dependia de ingredientes frescos e de produtores locais.

Proponho redescobrirmos o milho, por exemplo. Porque não elevar o prestígio do fubá? Da goiabada? No próximo post publico uma receita minha com esse princípio de redescoberta que é um grande sucesso: Torta Brulée de Fubá Cremoso e Goiabada cascão.

Engraçado pensar que: Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude está em casa, guardado por Deus, contando seus metais.

E o futuro? Esteve sempre lá: na sua herança, na velha despensa.

O caminho para a sustentabilidade está na diversidade!

Lucas Corazza

Confeiteiro e Apresentador

FB e Instagram: /cheflucascorazza

Alessander Guerra

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